Maputo, 20 de Maio de 2026 – Desde a última segunda-feira, 18 de Maio, os passageiros do transporte interprovincial em Moçambique já estão a pagar tarifas mais elevadas, na sequência da revisão de preços anunciada pela Associação Moçambicana dos Transportadores Rodoviários (AMOTRANS).
O agravamento, que chega a ultrapassar os 7 mil meticais em rotas mais longas, reflecte o aumento dos custos operacionais, especialmente do combustível.
Aumentos por rota
Na nova tabela tarifária, uma viagem entre Maputo e Xai-Xai passou de 500 para 700 meticais, enquanto o trajecto Maputo-Beira subiu de 2.500 para 3.500 meticais. Para a região centro e norte, o impacto é ainda maior: o bilhete Maputo-Nampula saltou de 4.500 para 6.000 meticais, e a ligação Maputo-Lichinga foi de 7.000 para 8.000 meticais.
Dados da AMOTRANS indicam que o reajuste foi calculado com base num acréscimo de 2,09 meticais por quilómetro percorrido.
Governo subsidia transporte urbano
Enquanto os preços do longo curso subiam, o Governo avançou com um subsídio para travar o aumento das tarifas nos transportes públicos urbanos, numa tentativa de minimizar o impacto social do agravamento dos combustíveis.
O subsídio, que poderá chegar a 141 mil meticais (cerca de 1.874 euros) por operador, abrange numa primeira fase transportadores licenciados nas capitais provinciais e na zona metropolitana de Maputo.
A medida foi anunciada a 7 de Maio, após dias de negociações entre o Ministério dos Transportes e Logística e a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO).
O executivo garantiu que os custos adicionais resultantes da subida dos combustíveis seriam compensados, desde que os operadores mantivessem as tarifas em vigor. O subsídio terá uma duração inicial de três meses.
Subida dos combustíveis na origem da crise
A revisão das tarifas surge na sequência do aumento dos preços dos combustíveis anunciado a 6 de Maio, em sessão do Conselho de Ministros.
O gasóleo registou uma subida de 45,5%, passando de 79,88 para 116,25 meticais por litro, enquanto a gasolina aumentou 12,1%, fixando-se nos 93,69 meticais.
Este agravamento, justificado pela evolução dos preços no mercado internacional, gerou protestos e paralisações por parte dos transportadores.
Desafios para as famílias
A combinação entre o aumento do combustível e as novas tarifas interprovinciais tem gerado preocupações junto da população.
Em Nampula, os transportadores semi-colectivos chegaram mesmo a paralisar actividades em protesto contra a fiscalização municipal, num contexto de dificuldades operacionais.
Para muitos cidadãos, viajar entre províncias tornou-se um custo cada vez mais difícil de suportar, afectando o comércio, a circulação de trabalhadores e estudantes, e as visitas familiares.
Por enquanto, o Governo ainda não se pronunciou oficialmente sobre a proposta da AMOTRANS para o transporte interprovincial, mantendo-se a expectativa sobre eventuais medidas adicionais.

